Centenária Brink’s diversifica operações transportando cargas de alto valor e assumindo a gestão de caixas eletrônicos

18 out 2026 - 05h00

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- Por: Maria Clara Andrade

Empresa Brink's ficou conhecida pelos carros-fortes, mas hoje opera em outras frentes

Foto: Divulgação

Foi-se o tempo em que os carros-fortes serviam apenas para transportar maços e maços de dinheiro. Na verdade, foi-se o tempo em que empresas de logísticas conhecidas por seus carros-fortes se resumiam a apenas este serviço. É o que mostra o caso da centenária Brink’s, que, em um mundo com cada vez menos circulação de dinheiro físico, tem se reinventado através da modernização e diversificação de suas operações.

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Roberto Martins, diretor-presidente da Brink’s no Brasil, explica que é comum relacionar a empresa aos carros-fortes que ficam parados em frente a bancos ou supermercados, com pessoas fazendo a segurança do dinheiro. Apesar dessa ser ainda a principal frente de negócio da Brink’s, hoje em dia a atuação vai muito além desse transporte.

A primeira frente de diversificação começou com o transporte de outros itens valiosos para além das cédulas de dinheiro, como joias, eletrônicos e até mesmo produtos farmacêuticos.

“Produtos oncológicos para tratamento de câncer, vacinas diversas e imunossupressores, que são produtos para quando a pessoa faz transplante de órgãos, são os três que a gente tem transportado mais. Claro que a gente faz, todo mundo me pergunta se nós fazemos as famosas canetas emagrecedoras, sim, também fazemos”, exemplifica Martins.

Segundo o diretor-presidente, a Brink’s foi pioneira nessa diversificação, tendo começado a fazer, primeiro esporadicamente, em 2010 o transporte de itens de valor. Ele conta que em 2014 esse tipo de operação se consolidou na empresa.

Roberto Martins é diretor-presidente das operações da Brink's no Brasil

Foto: Divulgação

Mas a cartada que deu à Brink’s ainda mais fôlego nesse novo cenário mundial foi a digitalização de seus serviços, fazendo uso de sua expertise em logística para oferecer novas soluções para os clientes. Uma das principais é que, agora, a Brink’s tem assumido a operação de caixas eletrônicos de bancos.
“Isso traz um ganho para os bancos, de deixar de fazer um investimento alto nesse canal de atendimento, e ainda ter uma operação ainda mais eficiente do que eles tinham antes, porque é uma empresa de logística fazendo isso”, diz Martins, que explica que o software transacional permanece sendo do banco.
A empresa não compartilha dados de recortes regionais de suas operações. Mas, no mundo, 175 mil caixas eletrônicos são gerenciados pela Brink’s Company.
Outro ponto de modernização dos serviços da empresa está relacionado ao mercado de varejo, com a instalação de cofres inteligentes para monitorar a entrada e saída de dinheiro nas lojas dos clientes.
“A partir do momento que ele deposita nesse cofre, a gente tem a possibilidade de creditar esse dinheiro na conta dele. Antes, ele vendia um produto, guardava na gaveta ou num cofre não inteligente, e a gente passava três vezes por semana, recolhia aquilo e levava para a Brink’s, tinha que contar, para depois mandar para o banco. Demorava uns três, cinco dias para aquele dinheiro chegar na conta. E, para ele conciliar o que vendeu com o que recebeu, demorava mais tempo ainda. Hoje em dia, quando o varejista vende um produto em dinheiro, ele deposita e minutos depois pode estar na conta”, explica.
As implementações de modernização e digitalização vieram como consequência da pandemia, segundo explica Martins. Ele considera que o fenômeno de saúde pública global acelerou o processo de uso de bancos digitais e mudou a forma como as pessoas, em todo o mundo, lidam com dinheiro físico. No Brasil, houve a criação e rápida expansão do Pix como fator extra.
Ainda assim, mesmo com a Brink’s expandindo sua atuação para diferentes frentes, Roberto Martins reforça que o dinheiro físico ainda continua em circulação no mundo – e em grandes quantidades. Segundo dados do Banco Central, há hoje cerca R$ 357,6 bilhões em dinheiro físico circulando pelo Brasil atualmente.
“Antes da pandemia, eram R$ 289 bilhões. Então, a gente tem R$ 70 bilhões a mais hoje, comparado ao período anterior a covid-19”, afirma Martins. Ele defende que o que mudou foi a forma do dinheiro físico circular, estando mais concentrado em camadas de renda mais baixa e em locais mais distantes dos grandes centros.
“Em locais onde as pessoas, por exemplo, têm menos acesso a serviços digitais, seja porque elas têm mais dificuldade de utilizar ou porque não têm acesso ao celular, aos recursos, como internet”, diz. O executivo sintetiza que “há diferentes Brasis” em um só e, por enquanto, a Brink’s ainda tem um amplo horizonte de atuação.
Fonte: Portal Terra
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