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Candidato à presidência do Inter quer abrir debate de SAF e reestruturar dívida de R$ 1 bilhão
Candidato à presidência do Inter quer abrir debate de SAF e reestruturar dívida de R$ 1 bilhão · Imagem: Source: www.estadao.com.br

Gerando resumo

Candidato à presidência do Inter quer abrir debate de SAF e reestruturar dívida de R$ 1 bilhão
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Foto: Divulgação/@robertomelointer

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Entrevista comRoberto Melocandidato à presidência do Inter

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De campeão da Libertadores e Mundial há 20 anos, o Internacional vive cenário bem diferente atualmente. O clube corre risco de amargar o segundo rebaixamento em uma década e tem uma dívida acumulada de R$ 940 milhões, segundo o balanço financeiro do último ano.

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Um dos três candidatos à presidência do Inter, Roberto Melo atribui parte da crise do clube gaúcho à decisão da gestão de Alessandro Barcellos de romper com o trabalho desenvolvido anteriormente. Vice de futebol do time gaúcho entre 2017 e 2019, ele planeja, caso seja eleito, reestruturar a dívida quase bilionária e abrir o debate sobre a SAF.

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Se hoje o Inter tiver uma proposta de SAF, não vai ser uma boa proposta. Primeiro temos que nos organizar e estruturar, mas, ao mesmo tempo, abrir esse debate, porque sim, a SAF é uma possibilidade para todos os clubes e tem que ser analisada e bem entendida por todos", diz Melo ao Estadão. Ele tentará ser presidente pela segunda vez. No último pleito, foi derrotado por Barcellos.

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A eleição terá seu primeiro turno no dia 9 de novembro e, caso ninguém atinja 85% dos votos, o segundo turno será realizado em 12 de dezembro.

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O senhor já participou da direção do Inter e conhece os processos internos do clube. O que aprendeu com sua passagem pela gestão que vai implementar se assumir a presidência?

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A experiência é válida se ela se transformar num aprendizado de acertos e de erros. Ter participado da gestão do clube em diversos momentos, de grandes vitórias e grandes conquistas, como foi no período entre 2006 e 2010, e depois em períodos de dificuldade, como foi resgatar o Inter da Série B e torná-lo rapidamente competitivo, nos trouxe muita experiência. Cometi erros, cometi acertos, sei quais foram e agora sei quais não cometer. Então, a experiência é fundamental.

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Trabalhei também em outras áreas do clube: no relacionamento social, que é uma fortaleza do Inter, nos consulados que o Inter tem espalhados pelo Brasil. Outros clubes vieram nos copiar aqui, diversos clubes vieram aprender como o Inter fez isso, como chegou a 100 mil sócios, sendo o primeiro clube no Brasil a passar a marca de 100 mil sócios lá em 2009. Trabalhei na base e também aprendi a ser dirigente com a escola da base; penso que todo dirigente deveria passar pela categoria de base, pois é uma grande escola.

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Então isso me dá experiência, aprendizado e sabedoria. Não que vai ser mais fácil, porque vai ser muito difícil administrar o Inter na situação em que ele está, mas vai me dar caminhos já conhecidos e percorridos que vão, de alguma maneira, facilitar o nosso trabalho.

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Qual decisão concreta da administração Barcellos o senhor teria tomado de maneira diferente e o que repetiria?

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Não faria muitas coisas, praticamente tudo do que foi feito. Infelizmente, a gente sempre tenta achar uma coisa boa em alguma gestão e tem a dificuldade de, nesses últimos três anos, achar alguma coisa que melhorou no Inter.

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Se pegarmos o futebol, essa administração assumiu o Inter em 2021. O Inter havia feito uma decisão de final de Copa do Brasil e uma final de Brasileiro em 2020, em que não foi campeão por muito pouco. Esperamos e torcemos muito para que a gente escape novamente, mas isso não pode virar uma normalidade, pois não é a realidade nem a tradição do Inter.

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A base também: em 2020 fomos campeões da Taça São Paulo. Hoje, nosso sub-20 está rebaixado e não conseguiu sequer subir este ano. No marketing, em quase 40 anos, o Inter vai completar um ano inteiro sem ter um patrocínio master permanente na sua camisa. Os sócios e consulados reclamam muito, e o patrimônio é mal explorado. Fica difícil achar uma decisão tomada que tenha sido boa.

Agora, o enfrentamento da dívida: a dívida mais que dobrou, mesmo o clube tendo nesses últimos anos muitas receitas com venda de jogadores, receita extraordinária da liga e receitas das bets. Mesmo assim, a dívida aumentou demais, nada foi investido em patrimônio e não se construiu o CT.

O discurso quando assumiram foi o da ruptura, mas foi uma ruptura muito ruim para o Inter. Entendo que cada direção eleita tem legitimidade para fazer mudanças, mas o Inter, em todas as épocas em que foi campeão, passou por um processo de construção. Nenhum clube é campeão de uma hora para outra. Nos anos 70, o Inter começou a beliscar títulos a partir de 1970/1971 e foi ser campeão em 1975, 1976 e 1979. Em 2006, quando fomos campeões da Libertadores e do Mundo, começamos lá em 2003, 2004, 2005 a participar de competições sul-americanas até conquistar todos os títulos.

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Depois de 2017, quando recebemos o clube na Série B, em 2018 fomos terceiros no Brasileiro. Em 2019 fizemos final da Copa do Brasil e uma boa Libertadores. Em 2020 não fomos campeões por muito pouco no último jogo contra o Corinthians, onde faltou um golzinho e o VAR não nos ajudou, para não usar outras palavras mais fortes aqui.

O Inter estava num caminho de reconstrução e em direção às conquistas. A gestão podia fazer algumas mudanças, mas preferiu o discurso da ruptura de “romper com o passado”, e isso nos custou muito caro. Essa ruptura total foi o primeiro grande erro, além de vários erros no patrimônio, na base e em gastar muito mais do que arrecada. São muitas coisas, não dá para dizer uma só.

Candidato à presidência do Inter quer abrir debate sobre SAF

Ex-vice de futebol do clube, Roberto Melo disputa eleição pela 2ª vez.

Na Série B ou não, você vai encontrar um cenário bastante desfavorável caso assuma o Inter ano que vem, com dívida superior a R$ 1 bilhão. Quais são seus planos para reorganizar as finanças do clube?

A gente tem que fazer o enfrentamento da dívida. Temos que reestruturar essa dívida, equalizá-la, diminuir seu custo financeiro e alongar a dívida de curto prazo para uma dívida de longo prazo que seja mais palatável de se pagar.

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A dívida é realmente muito grande, mas tem que ser enfrentada, o que não foi feito. No final do ano passado, o clube contratou uma assessoria reconhecida nacionalmente, a Álvares & Marsal, para apresentar um diagnóstico e encaminhar um parecer sobre qual caminho seguir. O relatório dizia que teria que ter sido feita uma recuperação judicial o quanto antes, e nada foi feito. O clube teve ciência disso desde o início do ano e não tomou nenhuma decisão.

Se o clube entendesse que aquele não era o melhor caminho, tinha que tomar outra decisão ou outro encaminhamento, mas tinha que fazer esse enfrentamento. Não foi feito nada. Isso causou o colapso total do clube neste momento: na janela de transferências não conseguiu contratar, toda semana aparece um transfer ban e há salários de jogadores atrasados. Tudo isso somado é o que nos coloca hoje na zona de rebaixamento.

Roberto Melo tenta pela segunda vez ser presidente do Inter Foto: @robertomelointer via Instagram

O senhor vem conversando com fundos para reestruturar o passivo. Que tipo de operação está sendo negociada? Em que estágio estão essas conversas?

Venho conversando porque acho obrigação do dirigente procurar alternativas. Mesmo não tendo ainda legitimidade para encaminhar nenhuma decisão ou assinar nenhum contrato, não posso ficar esperando o dia 12 de dezembro (segundo turno da eleição) e janeiro para procurar soluções.

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Estou conversando com empresas e potenciais parceiros que possam ajudar o Inter na geração de novas receitas. Já conversei com fundos de investimentos estruturados em São Paulo, possíveis patrocinadores master e outros parceiros comerciais. Também estive na Argentina conversando com uma agência de investimento que financiou o River Plate na reforma do Monumental.

Não posso adiantar ainda nenhuma situação concreta porque não tenho a legitimidade, mas já estamos conversando. Isso inclusive abre competição: quando falo com uma empresa, sou procurado por outras que também querem entrar no Internacional. O Internacional é uma marca muito forte, tem uma exposição gigante e uma torcida extraordinária. É inadmissível que hoje não tenha um patrocínio master. Trabalhamos para atrair parceiros e financiamentos para adquirir novamente a capacidade de honrar compromissos, ganhar credibilidade, ter capacidade de investir e fazer um futebol mais competitivo.

O Inter recebeu uma doação de R$ 20 milhões de Delcir Sonda para quitar atrasados com o elenco. O senhor intermediou essa doação. Na sua gestão, aceitaria doações como essa?

O Sonda é nosso parceiro, parceiro do Inter há muitos anos. Ele já ajudou o Inter de diversas maneiras, contratando jogadores como D’Alessandro, Aránguiz e Kléber, e ajudando a manter outros por mais tempo, como o Sóbis. Em outros momentos, emprestou dinheiro para pagar folha de pagamento ou alguma dívida. Por duas vezes, lá em 2019 ou 2020, fez uma doação através do perdão de uma dívida de R$ 25 milhões que o Inter tinha com ele.

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Participei de uma reunião que o presidente convocou para expor a situação dramática do clube e pedir ajuda aos pré-candidatos. Saí da reunião e a maneira que achei de ajudar foi pegar um avião para São Paulo para falar com esse amigo, o Sonda. Fui ao escritório dele, expliquei a situação do Inter, brigando contra o rebaixamento, com atraso salarial, do 13º salário. Ele se sensibilizou e rapidamente concordou em fazer uma doação em um valor superior ao que estava atrasado (que era na ordem de R$ 14 milhões). Ele fez uma doação de R$ 20 milhões, que, com o imposto pago por ele deu cerca de R$ 21 milhões que saíram do bolso dele. O mérito é todo dele. Eu apenas intermediei, assim como estou indo atrás de investidores, patrocinadores e financiamentos. Mas o mérito é dele, a doação foi dele, foi pro Inter e o mérito é todo dele.

Roberto Melo com Alessandro Barcellos, que o derrotou na última eleição à presidência do Inter Foto: Ricardo Duarte/Inter

Qual o seu pensamento sobre a transformação do Inter em SAF?

Não sou contra, mas não sou favorável também no sentido de achar que seja uma solução mágica. A SAF é um instrumento jurídico criado por lei para atrair investimento pro clube, e acho que devemos estudá-lo. O Inter tem que abrir esse debate. Se eu for eleito presidente, estou comprometido, já a partir de janeiro, a enviar ao Conselho Deliberativo uma proposta para abrir esses debates, para que conselheiros e sócios entendam os modelos, qual seria bom para o Inter e se o Inter realmente quer seguir esse caminho.

Mas antes de tudo, e ao mesmo tempo em que se abre esse debate, o Inter precisa se reestruturar: reestruturar sua dívida, rentabilizar seu patrimônio e voltar a formar novos jogadores que cheguem ao profissional, joguem, se valorizem e sejam vendidos no momento em que o clube quiser, e não quando precisar.

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Se hoje o Inter tiver uma proposta de SAF, não vai ser uma boa proposta. Temos que ter garantias de que o investidor vá proteger o clube, o patrimônio, a identidade e a cultura do clube. Se você está fragilizado numa negociação, fica mais difícil ter essas garantias. Então, primeiro temos que nos organizar e estruturar, mas ao mesmo tempo abrir esse debate, porque sim, a SAF é uma possibilidade para todos os clubes e tem que ser analisada e bem entendida por todos.

O atual presidente é um dos dirigentes que estão liderando conversas com o Governo Federal a respeito de um programa de renegociação de dívidas. Não está claro ainda o modelo nem se o projeto vai avançar. Mas, na sua gestão, caso esse programa prospere, o Inter deve aderir a essa iniciativa?

Evidente que sim. Temos que procurar alternativas para reestruturar nossa dívida, essa seria uma opção. Não sabemos ainda exatamente as condições, garantias e juros, mas vindo do BNDES me parece ser algo mais favorável do que se tem hoje no mercado. Teria que ser estudado e analisado, mas penso que seria uma boa maneira de reestruturar alguma parte da dívida, alongando-a e tirando principalmente aquela dívida de curto prazo, que é mais cara, por uma de longo prazo e com juros mais baixos. Sem dúvida, seria uma bela alternativa, mas que hoje ainda não existe.

Quais as principais fontes de receita que o senhor acredita que o Inter explora pouco ou de maneira inadequada, na sua avaliação?

O Inter tem um patrimônio maravilhoso no lugar mais bonito da cidade, numa área supervalorizada, mas que hoje é mal explorado e só nos dá gasto. Não conseguimos rentabilizar esse patrimônio (Beira-Rio), gerar receita, movimentar pessoas, gerar engajamento e pertencimento. Temos áreas em negociação de troca com a prefeitura que vão nos permitir fazer investimento imobiliário, gerando uma fonte importante de receita. Penso que toda essa receita deve ser usada para o enfrentamento da dívida ou para gerar novo patrimônio/receita pro clube, e não para financiar despesas correntes ou novas dívidas.

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Outra grande fonte de receita subestimada é a categoria de base. A formação de atletas sempre foi um grande potencial do Inter e hoje não conseguimos revelar e formar jogadores como em outros tempos. Nossa ideia é aproximar novamente a categoria de base do profissional. Hoje, o Inter tem três endereços e precisamos ter uma casa só para ter identidade, criando um modelo de transição com jogadores diferenciados. Estes atletas devem alimentar o time profissional, tendo minutagem real que será cobrada do treinador. O treinador contratado já deverá saber desse projeto do Inter e da ideia de aproveitar esses jogadores para que joguem, se valorizem e sejam vendidos no momento em que o Inter achar mais apropriado.

Queremos resgatar a identidade do jogador que vinha da base querendo jogar no profissional e vencer o GreNal. Hoje os meninos já chegam querendo ir embora pelo desespero do clube por receitas e pela perda dessa convivência. Na parte comercial, o Inter não tem patrocínio master e não possui no complexo do Beira-Rio lojas, restaurantes ou um shopping que tragam fluxo de pessoas, movimento e receita. Queremos criar um grande distrito de turismo, entretenimento, cultura e desenvolvimento social.

O Inter é mal administrado e suas receitas são mal exploradas, mas tem solução. Mesmo passando por um período de escassez, acho que 2027 será para estabilizar o clube, 2028 para transformar essa estabilização e 2029 para consolidar o Inter em outro momento. Com a profissionalização do clube e da governança, o futuro do Inter será muito melhor.

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As bets financiaram o futebol nos últimos anos com recursos vultosos e agora estão proibidas de operar. Na sua avaliação, é possível buscar um patrocínio forte para o Inter sem ficar refém das bets?

O problema não foi ter o patrocínio das bets enquanto era permitido, mas sim o clube ficar dependente dessa receita. O clube precisa criar alternativas permanentes de receita próprias, como o patrimônio e a base. Tenho certeza de que temos condições de atrair outros patrocínios. Já conversei com empresas interessadas em investir pesado no Inter porque o Inter é uma grande marca, com enorme torcida e exposição. É inacreditável e inadmissível o Inter passar o ano todo sem um patrocínio master. Já estamos trabalhando para trazer grandes parceiros para a camisa do Internacional.

Estando na Série A ou na B, faria profundas mudanças no elenco?

Vamos esperar a eleição acontecer. Já vimos estudando a partir das informações que temos (não oficiais do clube) para conhecer os contratos, prazos e quais jogadores possuem cláusula de saída, opção ou obrigação de compra.

Temos um problema sério que são os transfer bans e limitações da CBF e da CNRD. Isso talvez nos impeça de fazer, num primeiro momento, uma grande reformulação, porque daqui a pouco você não consegue contratar nem registrar jogadores que venham de graça se estiver com essas limitações. Essa também é uma das críticas que fazemos à atual gestão: por não ter enfrentado o endividamento, permitiu que toda semana aparecesse um transfer ban, enquanto outros clubes (como Botafogo e Vasco) tomaram medidas de enfrentamento da dívida, se reforçaram e levantaram transfer bans junto à Fifa. Tudo terá que ser bem analisado: contratos, a base e a situação de registro dos atletas para que possamos fazer a reformulação imediatamente ou conforme equacionarmos essa questão das dívidas e impedimentos de registro.

Como será a estrutura de futebol na sua gestão? Já tem nomes de executivos e treinadores que lhe agradam?

Tenho sim. Seria uma irresponsabilidade se não estivesse fazendo. Volto a dizer que não tenho legitimidade para contratar ninguém ainda, mas estou há muito tempo no futebol, as pessoas me conhecem e tenho credibilidade. Eu pego o telefone e ligo, as pessoas me atendem, converso com qualquer treinador, empresário ou diretor executivo. Já vimos conversando sim com algumas pessoas e temos pessoas trabalhando na montagem de listas de elenco e jogadores. Não posso pensar só na Série A, então temos um trabalho duplo considerando os dois cenários (Série A e Série B).

Caso o Inter fique na Série A, qual é a meta esportiva que o senhor considera realista para o time em 2027?

O Inter foi criado para competir e ganhar. Toda a torcida e a história querem vencer quando entram numa competição. Mas seria irresponsável da minha parte vir aqui e prometer títulos no ano que vem. Não posso prometer títulos; meu compromisso é trabalhar para construir um futuro em que o Inter esteja disputando títulos novamente a partir de 2027, 2028 ou 2029, a depender de quão rápido equacionarmos a dívida, atrairmos investidores e formarmos jogadores. Vou prometer que construiremos um futuro melhor para o Internaciona

Você foi recentemente à Argentina conversar com executivos da Corporação Andina de Fomento (CAF). O que existe de concreto nesse projeto para o complexo Beira-Rio? Existem estudos técnicos ou estimativas de investimento?

Foi uma primeira conversa. A CAF é um banco de desenvolvimento da América Latina e do Caribe focado em financiamentos e investimentos em infraestrutura que gerem benefícios para as cidades e pessoas, como fizeram no financiamento do River Plate pensando também na Copa de 2030 e geração de empregos.

A CAF já tem projetos em Porto Alegre, como a Orla do Guaíba. Como o prefeito Sebastião Melo tem boa relação com eles, propus criarmos uma parceria e um grupo de trabalho entre Internacional, Prefeitura e CAF para desenvolver o projeto juntos. A ideia é integrar o Complexo Beira-Rio à Orla do Guaíba, criando um grande polo de turismo, entretenimento, cultura, lazer e empregos. O próximo passo é ir a São Paulo reunir com o executivo da CAF no Brasil para, a partir de janeiro, estruturarmos esse projeto.

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