Com um único clique, um conteúdo tem o poder de viralizar e influenciar pessoas conforme o alcance que conseguir nas redes sociais. Quando se trata de uma informação falsa, as consequências são imediatas. As chamadas fake news, termo considerado a palavra do ano em 2016, deixaram de ser um fenômeno isolado para fazer parte de um esquema sistêmico e estrutural muito maior, focado em ganhos financeiros, fraudes e golpes comerciais . No contexto das eleições, a indústria da desinformação se soma a objetivos políticos e, nos últimos anos, encontrou um formato “preferido”: o dos vídeos curtos . Um estudo do NetLab, laboratório de pesquisas sobre internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), [object Object] até atingir o grande público. Pesquisadores analisaram 115,3 mil mensagens veiculadas em grupos públicos do WhatsApp e 180,9 mil em grupos e canais públicos do Telegram, durante o primeiro turno das eleições de 2022, e chegaram às seguintes etapas, de acordo com Debora S. Salles, integrante da pesquisa e coordenadora-geral do NetLab: Em entrevista ao Podcast Canaltech, a pesquisadora pontua que essa máquina de desinformação se beneficia da própria arquitetura das redes sociais que cria um “ambiente informacional muito poluído”. Segundo ela, a retenção do usuário vem antes da qualidade da informação. Deepfakes aumentam o impacto e o desafio Com a popularização das ferramentas de IA generativa, a [object Object] . Um relatório da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) mostrou que o Brasil concentra 39% dos casos de deepfakes registrados na América Latina em 2025 e teve um aumento de 126% nos ataques que utilizam imagens, vozes e identidades falsas. Débora explica que para além do conteúdo manipulado mais realista que a IA consegue gerar, há também os chamados shallowfakes, que são falsificações mais ‘primárias’. Esse tipo de conteúdo sintético mais imperfeito, apesar de ser menos sofisticado, é amplamente usado em anúncios fraudulentos, aproveitando-se da desatenção do usuário. A especialista avalia que a criação de recursos de marca d'água que identifiquem os conteúdos gerados por IA é importante, mas não o suficiente, sendo apenas parte de um longo desafio de regulamentação e transparência. Como, então, combater a desinformação? O desafio de conter a desinformação, segundo a pesquisadora, está na [object Object] . Ela ressalta que exigir transparência algorítmica, repositórios públicos de anúncios e responsabilização de plataformas não equivale a proibir a liberdade de expressão , mas trata-se de estabelecer regras públicas de segurança. O usuário também é parte importante neste combate à indústria da desinformação. Para evitar cair em armadilhas digitais, especialmente no período eleitoral, Débora indica: Em relação aos deepfakes, confira como saber se um vídeo de candidato é verdadeiro em cinco dicas . Além disso, testamos perguntar para 5 chatbots de IA sobre quem votar nas eleições 2026. Veja o resultado .






