Roberta Medina explica como funciona mega telão do Palco Mundo no Rock in Rio

A edição de 2026 do Rock in Rio estreou uma das suas transformações mais ambiciosas: um telão de LED com mais de 2 mil metros quadrados, cobrindo toda a fachada do Palco Mundo.

A megastrutura colocou o festival na mesma linha visual de eventos como o Coachella e de turnês de nomes como Beyoncé e Taylor Swift.
Enquanto alguns acabaram engolidos pelo próprio gigantismo da tela, outros souberam usar muito bem a tecnologia a favor do espetáculo. O g1 explica os bastidores dessa logística e apresenta o ranking dos shows que melhor dominaram a novidade.
O artista paga para fazer uso do telão?
Telão do Palco Mundo falha durante apresentação do Barão Vermelho no Rock in Rio
Não. O artista não paga ao festival para usar o telão. A estrutura de LED, som e iluminação é fornecida e custeada pelo próprio festival como parte da infraestrutura oficial do Palco Mundo.
O que o artista precisa investir não é dinheiro de "aluguel" do espaço na tela, mas sim tempo e recursos de produção para criar conteúdos visuais e direções de câmera sob medida para aquela mega tela.
“O uso desse telão é altamente desafiador. O material para ser trabalhado não é material de grafismos, é uma decisão de investir tempo mesmo. Isso fica na mão de cada artista”, explica Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, ao g1.
Segundo ela, o festival envia previamente aos artistas um rider técnico, documento que detalha os equipamentos disponíveis no palco.
“Isso é a lógica dos festivais. Eles não podem vir com o palco todo próprio, eles podem trazer os efeitos especiais deles. A gente manda o que tem de som, luz e LED instalados para eles aproveitarem o que quiserem”, afirma Roberta.
Detalhe de teste do telão de mais de dois mil metros quadrados na Cidade do Rock — Foto: Josué Luz/ TV Globo
1. Gilberto Gil
Gilberto Gil se apresenta no Rock in Rio 2026 — Foto: Leo Franco/AgNews
Entre os grandes shows do Rock in Rio, o de Gilberto Gil foi o que mais explorou o potencial narrativo dos telões.
Com projeções assinadas pelo estúdio Radiográfico, o Palco Mundo ganhou um conceito visual criado a partir do próprio corpo do artista. No palco, Gil aparecia em diferentes versões de si mesmo: em closes, gestos e movimentos que se misturavam às imagens captadas ao vivo.
A proposta, segundo Pedro Garavaglia, sócio-diretor do estúdio, era apresentar “um Gil olhando para frente, para o futuro”.
Show de Gilberto Gil no Rock in Rio foi acompanhado por projeções nos telões. — Foto: Divulgação/Radiográfico
Show de Gilberto Gil no Rock in Rio é acompanhado por projeções nos telões. — Foto: Divulgação/Radiográfico
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Para isso, a equipe levou o artista ao estúdio e registrou seus movimentos e expressões, posteriormente transformados em imagens e metáforas para as canções.
“A gente quis que o corpo dele, os gestos, as expressões do próprio Gil servissem de base para a gente”, conta.
O material foi pré-renderizado e planejado para receber, durante a apresentação, uma camada de imagens captadas ao vivo. A dimensão do Palco Mundo acrescentou um desafio técnico ao processo: “Ela foi pensada também de uma forma que possibilitasse os renders”, explica Garavaglia.
2. Bring Me The Horizon
Bring Me The Horizon no Rock in Rio 2026 — Foto: Reprodução/Globoplay
O Bring Me The Horizon também de uma aula de como ocupar a nova tela do Palco Mundo. A banda britânica chegou ao Rock in Rio com uma identidade visual desenhada para transformar a apresentação em um grande videogame.
Mas com o diferencial de que fez isso logo no primeiro fim de semana do festival, sem ter a vantagem de acompanhar a repercussão dos shows anteriores e ajustar o espetáculo a partir deles.
Antes mesmo do início, os telões convidavam o público a “apertar start” e perguntavam se ele topava jogar, enquanto um aviso de conteúdo sensível preparava para a "violência e o gore" que fariam parte do espetáculo.
Ao longo do show, a estética se manteve: caveiras, tumbas e destroços compunham o cenário, enquanto os integrantes apareciam nos telões como se fossem personagens de um jogo.
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3. Pedro Sampaio
Pedro Sampaio se apresenta no Rock in Rio 2026 — Foto: Leo Franco/AgNews
Pedro Sampaio também soube explorar muito bem a dimensão do novo painel, assim como Gil, com imagens captadas e criadas especialmente para o show no Rock in Rio.
Logo na abertura, um salto filmado de baixo fazia parecer que o artista pulava sobre o público, aproveitando a escala monumental da tela.
“Era um telão muito grande, então a gente ficou vidrado nisso de trazer uma perspectiva diferente, que não é a convencional. Você vê debaixo do pé de uma pessoa e isso num telão gigantesco”, explica Vito Soares, diretor criativo da apresentação.
Ao longo da apresentação, a equipe também combinou letterings, texturas e imagens de câmera para manter o público integrado ao espetáculo.
Um dos recursos mais curiosos foi colocar iPhones nas mãos dos dançarinos, que se filmavam no palco enquanto as imagens eram transmitidas em tempo real para o iMAG, criando uma espécie de POV da apresentação.
“Foi legal brincar com a tecnologia nesses contrapontos”, resume Vito. “Tem uma tela tão grande, e ao mesmo tempo você coloca um recurso muito simples, que é um celular.”
A operação das imagens ficou a cargo da VJ Kiara, responsável por transformar esse planejamento em imagens ao vivo.
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4. Hwasa
Hwasa se apresenta no Rock in Rio 2026 — Foto: Leo Franco/AgNews
Hwasa também conseguiu fez um bom uso de todo o gigantismo da nova tela.
Durante o show, os telões foram usados projetando imagens com zooms que valorizavam a presença da cantora, além de letterings com os nomes das músicas e trechos das letras em português, ajudando o público a acompanhar a apresentação.
O recurso funcionou especialmente bem para uma artista que estreava no Rock in Rio diante de uma plateia que ainda conhecia pouco de seu repertório.
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