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A Meta estreou nos Estados Unidos o Muse, um agente de inteligência artificial criado para realizar tarefas em nome do usuário. A ferramenta pode enviar e-mails, pesquisar produtos e reservar viagens, além de manter contexto ao longo do tempo.

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A novidade ainda não chegou oficialmente ao Brasil. Mesmo assim, empresários brasileiros já discutem como agentes desse tipo podem mudar compras, atendimento e a relação entre empresas e consumidores.

O agente da Meta pode pesquisar produtos e assumir parte da jornada de compra do consumidor. Imagem: gorodenkoff/iStock

Um assistente que age de forma contínua

Diferentemente de chatbots que respondem a comandos, o Muse foi desenvolvido para executar tarefas e manter contexto ao longo do tempo. Para Alexandre Bernat, cofundador da Vetto, essa evolução aponta para os chamados agentes persistentes.

“Até aqui, a maior parte dos agentes funcionava dentro de uma sessão”, afirma em nota. Segundo Bernat, a tendência é que esses sistemas permaneçam conectados a serviços como e-mail, agenda e comércio eletrônico, interpretando novas informações e tomando determinadas ações sem que o usuário precise iniciar uma conversa a cada vez.

Eduardo Petrelli, CEO da Agent.Shop, vê espaço para esse modelo no mercado brasileiro. “O brasileiro já compra por conversa há anos”, diz.

Nesse formato, parte da jornada que hoje depende de uma conversa entre consumidor e vendedor pode ser assumida pelo agente.

Muse pode ser um desafio para as empresas

A mudança também afeta as companhias. Elas precisarão decidir como seus sistemas vão receber agentes que acessam plataformas em nome dos clientes.

O episódio envolvendo a Amazon mostra uma dessas dificuldades. A varejista bloqueou o acesso do Muse, alegando violação de seus termos de uso e questões relacionadas à forma como o agente acessava sua plataforma.

Outro caso, esse envolvendo o youtuber Matt Robb, também levantou dúvidas sobre os limites de autonomia do Muse. Como comentamos aqui no Olhar Digital, ao deixar o agente cuidar da venda de um produto no Facebook Marketplace, Robb descobriu que o sistema havia combinado a retirada com um comprador e compartilhado seu endereço sem que ele soubesse do encontro. O episódio chamou atenção porque a IA tomou uma decisão com impacto no mundo real sem uma nova intervenção do usuário.

A Meta afirma que o Muse deve pedir autorização antes de ações consideradas sensíveis e que as tarefas realizadas ficam registradas. A empresa também mantém o Sentinel, sistema separado que pode autorizar, bloquear ou interromper determinadas conexões e ações.

Para Allan Paladino, CEO da Lastro, existe ainda um dilema comercial.

“Se tem um usuário fazendo a compra com um produto através desses agentes, o anúncio não vai chegar para o usuário. Dessa forma, o valor do anúncio perde relevância e a empresa perde uma parte da receita”, afirma.

Entre os pontos que as companhias precisarão considerar estão:
- integração de agentes com catálogos e sistemas de compra;
- identificação de interações feitas por agentes;
- limites para ações realizadas sem nova confirmação;
- impacto sobre publicidade e atendimento.
A chegada dos agentes de IA pode criar uma nova camada entre consumidores e empresas. – Imagem: jackpress/Shutterstock
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Uma mudança ainda em estágio inicial
Rodrigo Murta, CEO da Looqbox, considera o Muse parte de uma tendência de popularização dos agentes entre pessoas sem conhecimento técnico. A proposta é oferecer uma ferramenta pronta, sem exigir que o usuário configure a infraestrutura necessária.
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“Ele vem praticamente pronto para ser o seu agente e o seu assistente pessoal. É bem legal ver que a gente está entrando em um momento com aquela visão mais futurista, em que você realmente tem um agente do seu lado que pode fazer coisas por você. E essa é exatamente a proposta do Muse”, explica.
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O caso do Marketplace mostra que a expansão desses agentes envolve não apenas conveniência, mas também questões sobre autorização, privacidade e controle. Para as empresas, isso significa adaptar sistemas, atendimento e processos de compra a uma tecnologia que pode agir em nome do consumidor.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Bruno Capozzi
Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.
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Tags: compras online Inteligência Artificial meta Muse

