AFA publica homenagem a Messi

Hotel sem água quente e falta de cachê: africanos denunciam precaridade em despedida de Messi
Hotel sem água quente e falta de cachê: africanos denunciam precaridade em despedida de Messi · Imagem: Source: www.estadao.com.br

Crédito: AFA

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Recentes amistosos entre Argentina, Burkina Faso e Benin geraram polêmica devido às condições precárias enfrentadas pelas seleções africanas. As viagens longas e a falta de infraestrutura adequada foram criticadas. Burkina Faso enviou uma equipe sub-23 após problemas logísticos, resultando em uma derrota de 7 a 0. A AFA, sob investigação por lavagem de dinheiro, não respondeu às críticas. A situação destaca desafios nas relações entre federações africanas e organizadores de partidas internacionais.

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Viagens intermináveis, hotéis espartanos, pouca preparação, equipe B... Os recentes deslocamentos de Burkina Faso e Benin à Argentina para disputar partidas amistosas, incluindo a despedida de Messi, geraram polêmica por suas condições precárias.

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À primeira vista, a última dança do capitão argentino ocorreu na noite de terça-feira como um sonho: a Argentina venceu o Benin por 3 a 0, Messi marcou um último gol e a imprensa beninense celebrou que os Guepardos deram a conhecer “Benin para o mundo inteiro”.

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“Só precisamos aproveitar, nada mais. Vou olhar e dizer: ‘Messi, você é um Deus’. É o melhor jogador do mundo”, declarou o defensor beninense Mohamed Tijani à imprensa argentina antes da partida, enquanto na federação se falava de um “privilégio” por ter sido a equipe escolhida para jogar esse encontro.

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Seleção de Benin foi à Argentina para despedida de Lionel Messi.. Foto: Luis Robayo/AFP

Mas essa bonita história esconde uma organização muito distante dos padrões do futebol profissional internacional: uma longa viagem de avião de vários dias para chegar a Buenos Aires, um hotel sem água quente, condições de treino “não ideais”, denunciou à AFP um membro da delegação beninense.

Ele também confirmou que a sua federação não recebeu qualquer receita pelos benefícios gerados pela partida, que potencialmente poderiam chegar a vários milhões de dólares entre bilheteria, direitos de televisão e outros produtos derivados.

‘Futebol doente’

Embora não exista uma prática padrão em partidas amistosas de seleções, os times africanos mais modestos geralmente recorrem a agências para organizar seus encontros como visitantes e não necessariamente obtêm benefícios dessas partidas.

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“As federações africanas aceitam esses acordos porque tudo está coberto, e assim evitam ter que procurar adversários e organizar amistosos... Mas, de fato, as condições de transporte e alojamento são de baixo custo”, assegura um bom conhecedor do futebol africano.

Poucos dias antes, outra seleção africana viveu um cenário ainda mais rocambolesco: na véspera do início da partida, os jogadores de Burkina Faso estavam em Casablanca, no Marrocos, após o cancelamento do voo.

Resultado: quase todo o grupo profissional se recusou a embarcar em cima da hora e Burkina enviou a Buenos Aires, de última hora, uma seleção sub-23.

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Os jogadores, que chegaram poucas horas antes da partida e em completo fuso horário diferente, foram goleados por 7 a 0 pelos vice-campeões do mundo. Suficiente para irritar o chefe da junta no poder no país, o capitão Ibrahim Traoré, que, no dia seguinte a essa derrota, afirmou: “Nosso futebol está doente e vamos encontrar remédios”, prometendo que seriam tomadas “decisões importantes”.

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Lavagem de dinheiro

“A próxima janela internacional de novembro se aproxima rapidamente. Se nada mudar nas relações entre as diversas partes envolvidas, corremos o risco de reviver as mesmas dificuldades, com consequências potencialmente ainda mais lamentáveis”, admitiu Ibrahim Dianda, dirigente da federação burquinense, em um artigo publicado no Facebook.

Mas, de quem é a culpa? Das federações africanas que aceitam esses acordos ou da AFA como anfitriã dessas partidas?

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A federação argentina, que atravessa dificuldades financeiras, está sendo objeto de uma investigação por lavagem de dinheiro e seu presidente, Claudio Tapia, é suspeito de evasão fiscal.

Embora na Argentina todo o protagonismo desses dias tenha sido para a despedida de Messi, a imprensa e as redes sociais zombaram desses amistosos, qualificados desdenhosamente de “partidas lixo” diante de adversários de pouca expressão.

Antes dessa dupla data, a Albiceleste enfrentou, ainda pré-Copa do Mundo, a Mauritânia (vitória por 2 a 1) e Zâmbia (vitória por 5 a 0), respectivamente 110ª e 91ª no ranking FIFA.

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E a AFA obteve um ganho considerável de vários milhões de euros por aceitar ir até Angola em novembro de 2025, para disputar um amistoso em motivo do 50º aniversário da independência do país africano.

Em um comunicado reproduzido pela AFA, a empresa organizadora dessas partidas, EuroData Sport, defendeu ter “cumprido os compromissos contratuais” na partida contra Burkina.

A AFA não respondeu aos pedidos da AFP.

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