É o bicho!

Veterinária afirma que usar tapetes olfativos e evitar despedidas longas são as melhores técnicas de enriquecimento para a mente do pet

Daniel Lima

13/09/2026 02:00

Getty Images

Tutores de cães devem ter um espaço em casa que ofereça desafios diários e tapetes de atividades olfativas para garantir saúde e ocupar a mente do animal. A veterinária Fernanda Maris explica que o enriquecimento ambiental consiste em criar um espaço para o pet que proporcione atividades que estimulem seus comportamentos naturais.

Entenda

- O enriquecimento ambiental estimula os comportamentos naturais do cão por meio de desafios diários, combatendo o tédio e o estresse.

- Esconda a porção de ração do dia em tapetes olfativos ou brinquedos recicláveis (como caixas e garrafas pet), estimulando o faro e o instinto de caça.

- Destruição e lambedura compulsiva nem sempre são tédio e podem indicar sinais de dor ou alergia.

- Um erro comum é tratar o cão como humano, deixar brinquedos sempre espalhados e fazer despedidas longas e eufóricas ao sair de casa.

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A especialista alerta que o erro mais comum é tratar o pet como se fosse um humano, levando as famílias a se descuidarem com as reais necessidades biológicas do cão. Ao respeitar a essência do cachorro com atividades guiadas, os donos permitem que o bichinho exerça seu comportamento natural de forma saudável.
Diferente dos humanos, os cães vivem o presente de forma intensa. Quando o ambiente não oferece estímulos, o animal busca ocupações por conta própria, o que muitas vezes resulta em destruição de móveis, latidos excessivos e até riscos à própria integridade física.
É essencial descartar problemas físicos, como dores e alergias, antes de tratar apenas o comportamento
Cuidado clínico e limites antes do enriquecimento
Apesar da eficácia das brincadeiras, a destruição e a lambedura compulsiva de patas nem sempre indicam falta de estímulos. Esses sinais também apontam erros na hora de impor limites, falta de liderança dos donos ou desequilíbrios hormonais e de hierarquia.
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Por isso, problemas físicos devem ser totalmente descartados antes do tutor investir apenas em distrações comportamentais.
“Como dermatologista veterinária, atendo frequentemente pacientes cujo quadro foi rotulado precocemente como estresse, quando, na verdade, o animal apresentava um quadro de coceira ou dor”, alerta Fernanda.
Brinquedos recheáveis oferecem um desafio cognitivo adicional para o cão, sendo ideais para preencher o tempo de tédio e estimular o relaxamento do animal
Como aplicar o enriquecimento alimentar e sensorial
Para quem passa o dia fora, os brinquedos que permitem esconder a comida estimulam o faro, ativam o instinto de caça e reduzem o cortisol. É possível criar esse ambiente de forma acessível usando garrafas plásticas e caixas de papelão, testando diferentes níveis de dificuldade para não frustrar o cachorro.
O tutor deve usar a porção diária de ração da própria refeição nessas atividades, evitando petiscos extras para não causar sobrepeso. Além disso, é importante supervisionar cães “destrutivos” para prevenir a ingestão de corpos estranhos.
Nenhum objeto ou brinquedo substitui o convívio direto com a família, e despedidas muito eufóricas acabam anulando os benefícios do enriquecimento ambiental
Interação social e rotina sem enriquecimento exagerado
Deixar os objetos sempre espalhados pela casa faz o cachorro perder o interesse rapidamente. Como os cães são animais com tendências a viver em grupos, nenhum brinquedo substitui a necessidade fundamental de interação e convivência direta com a família.
Outro erro grave é hiperestimular o pet antes de sair de casa. Ao se despedir de forma eufórica, o dono gera uma expectativa desnecessária e prejudicial na cabeça do animal.
“O ideal é tratar a saída com naturalidade, sem alardes, transmitindo a segurança de que se trata de uma rotina comum e que o retorno é certo”, orienta a veterinária, destacando que a postura calma ajuda o cachorro a lidar melhor com as próprias emoções diárias.

