Política / Eleições 2026

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Exclusivo para assinantes

Medidas anunciadas antes da eleição por Dilma. — Foto: Arte / O Globo
Medidas anunciadas antes da eleição por Dilma. — Foto: Arte / O Globo · Imagem: Medidas anunciadas antes da eleição por Dilma. — Foto: Arte / O Globo

Uso da máquina para impulsionar a reeleição — expediente que Bolsonaro acionou com superlativo impacto fiscal e do qual Dilma também se valeu em menor grau — geralmente se dá meses antes do pleito

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

00:00

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

00:00

Medidas anunciadas antes da eleição por Bolsonaro. — Foto: Arte / O Globo
Medidas anunciadas antes da eleição por Bolsonaro. — Foto: Arte / O Globo · Imagem: Medidas anunciadas antes da eleição por Bolsonaro. — Foto: Arte / O Globo

O presidente Lula em evento no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

O “pacote de bondades” que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem anunciado, com destaque para o reajuste de 15% do Bolsa Família, ocorrem a menos dias da eleição do que costuma ser o adotado por presidentes que tentam um novo mandato. O uso da máquina para impulsionar a reeleição — expediente que Jair Bolsonaro (PL) acionou há quatro anos com superlativo impacto fiscal e do qual Dilma Rousseff (PT) também se valeu em menor grau — geralmente se dá meses antes do dia do voto. Cientistas políticos avaliam que o efeito eleitoral pró-petista depende de as medidas conseguirem se sobrepor ao cenário político conturbado, dominado pela crise do Supremo Tribunal Federal (STF), além de serem sentidas pelos beneficiados.

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

- Datafolha: Desconfiança no STF bate recorde, e metade dos eleitores diz que crise influenciará voto para presidente

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

- Crise no STF: Eleitores citam mais Lula do que Flávio como candidato prejudicado, aponta Datafolha

Medidas anunciadas antes da eleição por Lula. — Foto: Arte / O Globo
Medidas anunciadas antes da eleição por Lula. — Foto: Arte / O Globo · Imagem: Medidas anunciadas antes da eleição por Lula. — Foto: Arte / O Globo

Com as bondades, o presidente tenta mudar o noticiário a cerca de duas semanas do primeiro turno, num momento em que vê o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), encurtar a distância.

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Além do Bolsa Família, que passará de R$ 600 para R$ 691, Lula divulgou nos últimos dias que o SUS vai disponibilizar canetas emagrecedoras para casos específicos. Como mostrou o colunista Lauro Jardim, a benesse foi concebida a despeito do alerta de que a oferta terá um custo de R$ 8 bilhões por ano e dificultará ainda mais o arranjo das contas públicas. Ontem, no Rio, o presidente apresentou também um plano de combate à “bandidagem” que disse ser exemplar do que quer fazer em todo o país.

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

— Em 2022, foram uma série de medidas adotadas por Bolsonaro, com clara intenção eleitoral. Nesse sentido, ele abriu a porteira para esse tipo de excrescência fiscal e eleitoral. Lula está alinhado a isso — avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper. — O que o diferencia é, talvez, por estar mais próximo da eleição. Isso, claro, podemos classificar como o temor eleitoral pela movimentação das pesquisas nos últimos dias. Então, a diferença não é de mérito, menos ainda de valor, mas de timing.

Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula
Do Bolsa Família às canetas: crises e proximidade da eleição geram dúvidas sobre efeitos do 'pacote de bondades' de Lula · Imagem: Source: oglobo.globo.com

- Pesquisa presidencial: Lula tem 46% em segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que alcança 44% na última pesquisa Datafolha

De Dilma a Bolsonaro

Há quatro anos, a cerca de 100 dias do primeiro turno eleitoral, Bolsonaro apresentou uma proposta de emenda à Constituição classificada como “PEC das bondades” ou, para quem apontava o risco fiscal, “PEC kamikaze”. O rombo estimado era de R$ 41 bilhões, fora do teto de gastos. O Supremo Tribunal Federal (STF) consideraria o pacote inconstitucional dali a dois anos, mas, na ocasião, a aprovação no Congresso fez com que o governo subisse o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, um aumento de 50%.

A partir dali, o então presidente foi melhorando a avaliação de governo, que estava em baixa. Nas pesquisas Quaest, a avaliação negativa passou de 47% para 38% em menos de dois meses, na pergunta que permite ao entrevistado classificar a gestão como positiva, negativa ou regular.

- Faça o teste do GLOBO e descubra: Com qual candidato a presidente você mais se identifica?

No Ipec, com as respostas binárias aprova ou desaprova, Bolsonaro demorou a se recuperar, o que aconteceu ao longo da própria eleição. Começou a campanha com 37% de aprovação e acabou com 44%. Não foi o suficiente para derrotar Lula, mas o então presidente conseguiu reduzir a desvantagem durante o período eleitoral e ter uma derrota por margem apertada.

Medidas anunciadas antes da eleição por Dilma. — Foto: Arte / O Globo

Medidas anunciadas antes da eleição por Bolsonaro. — Foto: Arte / O Globo

Medidas anunciadas antes da eleição por Lula. — Foto: Arte / O Globo

O que chama atenção, no caso recente de Lula, é o ineditismo no fato de estar com dificuldade para melhorar a aprovação do governo durante a campanha. O padrão histórico mostra que os incumbentes veem o índice subir, e não apenas na esteira do uso da máquina: o próprio espaço que têm no período para propagar os feitos da gestão os ajuda a convencer os eleitores de que fizeram um bom trabalho nos anos anteriores.

- Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp

Em 2014, Dilma também anunciou ajuste no Bolsa Família durante o ano eleitoral, em abril. À época, o aumento foi de 10%. Pela série do Ibope, a petista não sentiu imediatamente o efeito positivo. Foi na própria campanha que a aprovação ao governo registrou um saldo positivo mais favorável. Popular até 2013, Dilma começou a entrar em crise com as manifestações de junho daquele ano, que criaram problemas para governantes das diferentes esferas federativas. Mesmo assim, reelegeu-se.

As novas políticas de Lula se somam ao que já vinha sendo promovido no primeiro semestre. O Desenrola 2.0, por exemplo, foi apresentado em maio como forma de encarar o problema do endividamento das famílias e turbinar a aprovação do governo. O impacto, contudo, durou pouco. Depois de um bom momento embalado por isso e pela crise de Flávio no caso Master, o petista voltou a oscilar negativamente nas pesquisas.

Recentemente, houve ainda a revogação da “taxa das blusinhas”, criada em 2024 pelo próprio governo Lula a fim de impulsionar as vendas da indústria nacional a partir da taxação de compras on-line de até 50 dólares. Embora seja defendida pelas empresas brasileiras, a cobrança de imposto nas compras internacionais era impopular, já que encarecia a aquisição de importados.

Outras medidas incluem o Gás do Povo, que alcança cerca de 15 milhões de famílias, e o Luz do Povo. Na esteira da Guerra do Irã, também foi formulado, em parceria com os estados, o subsídio do diesel para conter a alta no preço do combustível, tradicional preocupação de incumbentes em ano eleitoral. Como o Brasil é muito dependente do transporte rodoviário de cargas, a alta no combustível impacta os preços de produtos transportados.

Cenário imprevisível

Na visão do cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV EAESP, o fato de o anúncio de Lula ser feito a poucos dias do primeiro turno dá menos espaço para que resultados sejam colhidos. Ele pondera, no entanto, que a eleição está muito polarizada e com noticiário ruim para os dois lados, o que cria um clima de imprevisibilidade:

— Esse show de notícias ruins tem refletido na volatilidade das próprias pesquisas eleitorais. O eleitor indeciso está cada vez mais confuso, e acho que só vai definir mesmo em função do que vai acontecer até a véspera da eleição.

No Rio, ontem, ao lado do governador interino Ricardo Couto e do prefeito da capital, Eduardo Cavaliere (PSD), o candidato à reeleição anunciou um projeto de integração com as forças locais na segurança pública, tema citado como maior preocupação pelos brasileiros nas pesquisas. Ele classificou o modelo como “exemplo para o que vamos fazer no país” com a PEC da Segurança e citou três eixos: sufocar a logística e a mobilidade do crime, retomar territórios ocupados pela “bandidagem” e fortalecer a capacidade dos municípios de enfrentar o problema. Além de atacar uma pauta prioritária, Lula busca reduzir a desvantagem que teve no Rio na última eleição, quando perdeu para Bolsonaro no estado por mais de 1 milhão de votos de diferença.

(Colaborou Fernanda Alves)

Mais recente Próxima Jogo Político: 'Evangélicos estão com André Mendonça e STF vai eleger Flávio Bolsonaro', diz Apóstolo César Augusto

- Lula