O perfil do Instagram Hypers Born Talented, ligado ao projeto Hypers Kids, surpreendeu os internautas ao promover o site B22. A plataforma de criptomoedas distribui tokens a usuários que compartilham a mensagem B22 e conteúdos relacionados à campanha que incentiva o voto em Flávio Bolsonaro (PL).Na quarta-feira (7/10), o perfil, que soma mais de 12 milhões de seguidores, publicou um vídeo em que agradece o recebimento de 120 milhões de tokens $B22 por meio da parceria. “Um movimento que apoia o Hypers Kids e acredita em um Brasil melhor”, diz a legenda.O conteúdo menciona o empresário Pablo Marçal, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Tanto o site quanto as publicações relacionadas à iniciativa fazem referência ao apoio ao número 22, utilizado pelo senador na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.O perfil compartilhou o site B22, que apoia a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ)O que é o Hypers KidsA iniciativa reúne um grupo de crianças de Uganda.Nas redes sociais, publicam vídeos em que as crianças dançam e jogam futebol com o objetivo de arrecadar doações em dinheiro.Os valores arrecadados são usados para a construção de casas e melhoria das condições de vida da comunidade.B22 e a campanha de Flávio BolsonaroO B22 é uma plataforma de criptomoedas que distribui tokens — ativos digitais que podem ser transferidos e, conforme as regras do projeto, eventualmente trocados por dinheiro — a usuários que compartilham a mensagem B22 e conteúdos de apoio à campanha. Na página da campanha Brasil 22, a iniciativa é descrita como “um movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajudar as HypersKids a concluir sua casa em Kampala”.3 imagensFechar modal.1 de 3Site BB22 oferece criptomoeda a quem divulgar conteúdo que defende voto em Flávio BolsonaroReprodução2 de 3Site BB22 oferece criptomoeda a quem divulgar conteúdo que defende voto em Flávio BolsonaroReprodução3 de 3Site BB22 oferece criptomoeda a quem divulgar conteúdo que defende voto em Flávio BolsonaroReprodução Leia também São PauloNunes aposta em apoio oficial do MDB a Flávio Bolsonaro nos próximos dias MundoEm live com Flávio e Eduardo, Espriella diz que se inspirou em Bolsonaro BrasilRepublicanos oficializa apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno Tácio LorranPresos deram a Lula três vezes mais votos do que a Flávio Bolsonaro Segundo o advogado criminalista Juarez da Silva, a criação, comercialização e distribuição de criptomoedas não são, por si só, práticas ilegais. “A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e de manifestação de preferências políticas. Entretanto, a legislação eleitoral estabelece limites à utilização de recursos financeiros e vantagens econômicas para promover candidaturas, especialmente no ambiente digital”, explica.O especialista afirma que, caso fique demonstrado que a entrega dos tokens está condicionada à divulgação de mensagens de apoio a uma determinada candidatura, pode haver questionamentos sobre uma eventual forma de remuneração indireta por propaganda eleitoral.“O elemento determinante é verificar se existe uma relação entre a concessão de benefício econômico e a divulgação de propaganda político-eleitoral”, afirma.No caso do Brasil 22 Token, segundo o advogado, é necessário analisar o regulamento da distribuição, a origem dos recursos, a identidade dos responsáveis, o conteúdo das publicações incentivadas e a existência de eventual vínculo com candidatos, partidos ou estruturas de campanha.O próprio site afirma que o projeto não possui vínculo oficial com qualquer candidato, partido ou campanha eleitoral. A plataforma também declara que a distribuição dos tokens independe de voto, preferência política ou divulgação de propaganda eleitoral.Para Juarez da Silva, essas declarações devem ser consideradas na análise, mas não são suficientes, por si só, para afastar a necessidade de verificar como a iniciativa funciona na prática.O Metrópoles entrou em contato com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as assessorias de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, mas não teve retorno até a publicação deste texto.











