O Banco Central (BC) elevou para 90% a probabilidade de a inflação encerrar 2026 acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), indicando deterioração do cenário inflacionário mesmo em um ambiente de política monetária restritiva.A meta de inflação para este ano é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece teto de 4,5%.O número foi apresentado no Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (24/9). No último trimestre, segundo o BC, a chance era de 79%.Segundo o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, apesar das surpresas com a inflação no trimestre encerrado em agosto, que foi inferior ao esperado, as projeções mensais de curto prazo indicam elevação da inflação acumulada em 12 meses, que deve voltar a exceder o limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta de inflação.Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 4,22% no acumulado de 12 meses, com recuo de 0,32%. Leia também BrasilGoverno projeta inflação em 4,9% ao final de 2026 BrasilFocus: mercado volta a subir projeção de inflação após 3 semanas de redução BrasilFocus: mercado reduz projeção da inflação pela 3ª semana seguida BrasilInflação: queda no índice de preços foi embalada por bônus na conta de luz O Ministério da Fazenda também revisou as projeções de inflação para o final de 2026, levando o patamar a 4,9%, acima do teto da meta.O BC explicou que mesmo com esse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) vem adotando uma postura cautelosa.A taxa básica de juros, Selic, foi reduzida nas últimas reuniões, mas segue em patamar considerado restritivo, 13,75% ao ano, como forma de conter a demanda e buscar a convergência da inflação à meta.Na ata mais recente, divulgada na terça-feira (22/9), o BC destacou que o ambiente econômico ainda é marcado por elevada incerteza, tanto no cenário doméstico quanto no externo.Entre os riscos, o comitê cita a trajetória das contas públicas, a evolução da atividade econômica e fatores globais, como tensões geopolíticas e volatilidade de commodities.








