Protestos estudantis deixam escolas incendiadas e diretora ferida na França

Mais de 300 mil pessoas foram Ă s ruas em todo o paĂs, segundo sindicato. CrĂ©dito: REprodução Redes

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do EstadĂŁo, fez pra vocĂȘ

Gerando resumo

Um jovem de 15 anos perdeu uma das mĂŁos nesta segunda-feira, 5, ao pegar uma granada policial, durante protesto estudantil na França. Os manifestantes exigem melhores condiçÔes nas salas de aula. A onda de revolta jĂĄ dura dias e que resultou em incĂȘndios e barricadas em algumas escolas, alĂ©m de interromper as aulas em centenas de instituiçÔes pelo paĂs.

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Alguns alunos retornaram Ă s salas de aula, mas outros mantiveram os protestos do lado de fora, antes de manifestaçÔes maiores previstas para terça-feira â evento que um sindicato de estudantes do ensino mĂ©dio chamou de âAto IIIâ do movimento.

As autoridades informaram que o adolescente ficou ferido na cidade de Lens, no norte do paĂs. Uma fonte sindical policial afirmou que ele aparentemente pegou uma granada de efeito moral (do tipo *sting-ball*) disparada pela tropa de choque, e que o artefato explodiu em sua mĂŁo.

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Estudante de 15 anos tem mĂŁo arrancada por explosĂŁo de granada na França O jovem, de 15 anos, teria sido atingido por uma granada de efeito moral lançada pela polĂcia francesa durante um protesto estudantil Foto: Reprodução/Rede Social

Falta de professor e infraestrutura precĂĄria

Desde o final de setembro, estudantes tĂȘm bloqueado as entradas de centenas de escolas, queixando-se de ausĂȘncia de professores, horĂĄrios sobrecarregados, salas de aula em mau estado de conservação e prĂ©dios mal adaptados Ă s temperaturas em elevação, entre outras reivindicaçÔes.

âEstĂĄ claro que o sistema educacional nĂŁo estĂĄ funcionandoâ, disse Ă AFP Alma, aluna do LycĂ©e Charlemagne, no centro de Paris.

EleiçÔes na França

A onda de agitação surgiu poucos meses antes das eleiçÔes de 2027, que definirão o sucessor do presidente centrista Emmanuel Macron.

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O governo tem tentado responder às reivindicaçÔes, ao mesmo tempo em que acusa ativistas de extrema-esquerda de terem se apropriado do movimento de protesto.
âEles acham que, sĂł porque nos deixam expressar em uma plataforma ou na internet, vamos parar de bloquear o acesso e de sentir raiva; mas essa raiva existe hĂĄ anosâ, disse Simon, tambĂ©m aluno do LycĂ©e Charlemagne.
A Liga Francesa de Direitos Humanos (LDH) acusou, na segunda-feira, as forças de segurança de utilizarem métodos desproporcionais contra os manifestantes, muitos dos quais são legalmente menores de idade.
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âPercebemos que, nas instruçÔes dadas Ă polĂcia, nĂŁo hĂĄ diretriz para agir com moderação, embora estejam lidando com criançasâ, afirmou a presidente da LDH, Nathalie Tehio.
A Liga Francesa de Direitos Humanos (LDH) acusou, na segunda-feira, as forças de segurança de utilizarem métodos desproporcionais contra os manifestantes, muitos dos quais são legalmente menores de idade. Foto: CHRISTOPHE ARCHAMBAULT
24 escolas danificadas
Mais de 400 das 3.700 escolas de ensino mĂ©dio da França â conhecidas como *lycĂ©es* â estavam parcial ou totalmente fechadas na manhĂŁ de segunda-feira, segundo o MinistĂ©rio da Educação. No centro de Paris, dezenas de estudantes adolescentes protestaram em frente a uma escola enquanto motoristas que passavam buzinavam. Alguns colegas entraram no prĂ©dio para assistir Ă s aulas.
âEstamos perdendo nossas aulas para dar uma lição a vocĂȘsâ, dizia um cartaz de papelĂŁo em frente Ă escola de ensino mĂ©dio Turgot, em Paris.
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Em Bordeaux, no sudoeste do paĂs, alguns alunos voltaram para a sala de aula, enquanto outros continuaram a protestar sob a vigilĂąncia da tropa de choque.
Alguns manifestantes em frente Ă escola Gustave Eiffel dispararam fogos de artifĂcio em direção aos policiais, que responderam com gĂĄs lacrimogĂȘneo; no entanto, a situação permaneceu calma de modo geral, segundo repĂłrteres da AFP.
Greve de professores
O movimento começou em 17 de setembro em uma escola de ensino mĂ©dio no subĂșrbio parisiense de CrĂ©teil, em apoio a professores que faziam greve devido Ă falta de pessoal e de recursos.
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O movimento ganhou força e se espalhou pela França, por vezes descambando para o vandalismo, incluindo a destruição de pontos de ĂŽnibus, incĂȘndios nas entradas de escolas e confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
Desde o inĂcio do movimento, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas, segundo o ministro da Educação. Mais de 5.000 pessoas â 85% delas menores de idade â foram detidas.
Manifestantes tambĂ©m acusaram a polĂcia de uso excessivo da força, e investigaçÔes internas foram abertas sobre pelo menos trĂȘs casos de suposta brutalidade policial.
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âResponsabilidade dos paisâ
No domingo, o primeiro-ministro SĂ©bastien Lecornu instou as autoridades locais a priorizarem o preenchimento de lacunas deixadas por ausĂȘncias prolongadas de professores e cargos vagos.
Ele convocou uma reuniĂŁo para terça-feira com presidentes regionais para discutir a reforma das instalaçÔes escolares do paĂs, muitas vezes em estado precĂĄrio.
O governo tambĂ©m estĂĄ promovendo uma legislação para obrigar os responsĂĄveis ââpor danos ao patrimĂŽnio pĂșblico a pagar pelos reparos, em vez de utilizar recursos pĂșblicos.
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A porta-voz do governo, Maud Bregeon, defendeu o projeto de lei.
âQuando se tem jovens de 14, 15 ou 16 anos que, Ă s 9 da manhĂŁ, estĂŁo incendiando pontos de ĂŽnibus ou â o que talvez seja ainda mais grave â a escola onde estudam, isso levanta a questĂŁo da responsabilidade dos paisâ, disse ela Ă emissora Europe1/CNews. Lecornu afirmou que o projeto de lei poderia permitir a recuperação de valores de indenização a partir de auxĂlios familiares e benefĂcios habitacionais, preservando, ao mesmo tempo, um patamar mĂnimo de renda.
A lĂder do principal sindicato trabalhista, a CGT, Sophie Binet, criticou duramente o que classificou como um âanĂșncio populistaâ, afirmando que a medida âacabaria por atingir as famĂlias mais vulnerĂĄveisâ.
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Cerca de 340 manifestaçÔes ocorreram em frente a escolas de ensino mĂ©dio no meio da manhĂŁ desta quinta-feira, 1Âș Foto: Sameer Al-Doumy/AFP
AdesĂŁo aumenta
Estudantes universitĂĄrios tambĂ©m aderiram ao movimento desta quinta-feira, bloqueando o acesso fĂsico a cerca de 30 campi, incluindo universidades em Paris e na cidade de Marselha, no sul do paĂs, informou um sindicato estudantil.
Na cidade de Nantes, no noroeste da França, bombeiros tiveram de intervir para apagar um incĂȘndio na entrada de uma escola de ensino mĂ©dio âapĂłs uma manifestação marcada por violĂȘncia contra funcionĂĄriosâ, informou o conselho regional de educação.
Autoridades regionais relataram âatos de violĂȘncia nas proximidades de escolas de ensino mĂ©dioâ, principalmente em Nantes, responsabilizando âindivĂduos violentosâ que âse juntam aos estudantes para cometer atos de vandalismoâ.
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